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"Se tem um lugar em SP que serve comida mexicana DE RAÍZ, este lugar é A Chama, em São Caetano". Mas a dona é mexicana? "Mexicana não, mas ela morou mais de vinte anos no México". É mesmo? Em Oaxaca? "Bom, isso a gente pergunta quando chegar lá".

Cuegamos. Salão cheio para os padrões locais, segundo meu acompanhante: três zezinhos. Diante de um chili feito com feijão carioquinha e uma pitadinha de carne moída, estranhei. Em seguida, um prato de arroz chega à mesa. Em meu mochilão de trinta dias por terras mexicanas, não senti nem cheiro do tal cereal. No mesmo momento, passa um garçom fazendo moonwalk trazendo para nossa mesa uma margarita que mais parecia salmoura para temperar frango.

"A senhora é a dona aqui?". "Sou sim". "E me desculpe perguntar, mas em que cidade do México a senhora morou?". "Ah, nunca morei no México não, meu filho. Nunca saí de São Paulo. É que outro dia eu fui comer comida mexicana com uma amiga, enchi a cara de tequila, passei mal pra burro com a pimenta, e a partir daquele dia decidi me aventurar por essa culinária".

Neste momento, passa um senhor de porrete trajando apenas cuecas, dando "boa noite, boa vida, muitos sorrisos" a todos os clientes do restaurante (a essa altura, dois). A dona aproveita a deixa e comenta "esse aí, virou bicha depois de velho". Mais cinco minutos dentro do estabelecimento e descobrimos, enfim, que o suposto mariachi que tocava animadamente Guantanamera seu violão era, na verdade, paraguaio.

Depois disso tudo e de uma conta digna de Figueira Rubayat, deixo aqui o site para quem quiser se aventurar: http://www.restauranteachamamexicana.com.br/